MPSC investiga responsabilidade de motorista e de empresas em acidente com ácido sulfônico na Serra Dona Francisca

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A 21ª Promotoria de Justiça da Comarca de Joinville determinou nesta semana a inclusão, no polo passivo no âmbito do Inquérito Civil n. 06.2024.00000394-3, do motorista do caminhão que transportava ácido sulfônico e das empresas envolvidas no acidente que ocorreu na Serra Dona Francisca e provocou a interdição da rodovia, bem como interrompeu o abastecimento de água da região.

Os responsáveis pelo evento serão notificados para justificar suas condutas e informar se já estão fazendo algo para reparar o dano ambiental.  

A Promotora de Justiça Simone Cristina Schultz determinou que, “ao ser realizada a inclusão dos responsáveis no polo passivo, expeça-se ofício, com cópia da portaria do presente Inquérito Civil, para que tomem conhecimento do procedimento e todos os seus termos e manifestem-se a respeito, especialmente esclarecendo quais medidas foram adotadas para cessar todos os danos provenientes do evento danoso, notadamente os danos ambientais, animais e sociais na região”.  

Ela explica que, “a partir do momento em que o MPSC receber as respostas das partes envolvidas, tudo será analisado, com o fim de decidir sobre o ajuizamento de ação civil pública ou adotar alguma outra providência necessária ao esclarecimento dos fatos”.  

O Inquérito Civil n. 06.2024.00000394-3 foi instaurado no dia 29 de janeiro de 2024 para apurar as circunstâncias e os impactos ambientais provocados pelo acidente ocorrido na mesma data na SC-418, no trecho da Serra Dona Francisca em Joinville.   

No despacho, a Promotora de Justiça Simone Cristina Schultz determinou que as pessoas físicas e jurídicas envolvidas no evento prejudicial ao meio ambiente sejam incluídas no polo passivo para buscar a devida responsabilização pelos danos ambientais causados.

O procedimento administrativo do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) objetiva, ainda, identificar outros envolvidos com a respectiva responsabilização, bem como a reparação dos danos ambientais e coletivos.  

Relembre o caso  

O acidente envolveu um caminhão carregado de ácido sulfônico, causando a interdição da rodovia, e interrompeu o abastecimento de água da região. O abastecimento foi interrompido devido ao lançamento da substância no rio Seco, que faz parte da bacia hidrográfica do rio Cubatão.   

Pessoas físicas e jurídicas a serem incluídas no polo passivo:  

  • o motorista do caminhão que perdeu o controle enquanto trafegava pela Serra Dona Francisca, vindo a colidir em um morro, o que causou o derramamento do ácido sulfônico;  
  • a empresa responsável pelo transporte do produto químico e veículo que era conduzido pelo motorista; 
  • a empresa adquirente do produto químico, que seria utilizado no seu processo industrial;  
  • a empresa gerenciadora de riscos e gestão ambiental, diante da notícia de que houve demora no seu deslocamento para o local do acidente, o que contribuiu para a propagação dos danos ambientais.  

No despacho emitido pela 21ª Promotoria de Justiça da Comarca de Joinville, também ficou estabelecido que sejam oficiadas a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para que esclareça se atuou de alguma forma em relação aos fatos e encaminhe a documentação informando quais medidas foram adotadas, especialmente para fins de melhorias na fiscalização e segurança da rodovia respectiva, e a Companhia Águas de Joinville, para que encaminhe os relatórios de acompanhamento de toxicidade da água desde a data do acidente e informe como está acompanhando os impactos na água no momento.  

Ainda deverão ser notificados a Defensoria Pública Estadual – Joinville para que informe se está acompanhando o caso, especialmente se foi procurada por pessoas da comunidade, atingidas pelo acidente, relatando prejuízos, o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC) e a Polícia militar Ambiental (PMA), para que enviem cópia dos procedimentos administrativos instaurados sobre os fatos e informem se foram efetuados estudos técnicos para apurar o impacto gerado na fauna e se estão sendo realizados relatórios periódicos de toxicidade para aferir a cessação do impacto ambiental no local, entre outras informações. 

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC – Correspondente regional em Joinville

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