A madrugada deste domingo (4) entrou para a história climática de Santa Catarina. Em pleno mês de janeiro, período tradicionalmente marcado por calor intenso, o frio avançou com força sobre a Serra Catarinense e provocou a primeira geada de 2026 no estado.
As baixas temperaturas chamaram a atenção de moradores e especialistas, sobretudo pela intensidade incomum para esta época do ano.
Logo nas primeiras horas da manhã, o município de São Joaquim registrou um dos cenários mais impactantes, com termômetros marcando 2,2 °C. Como consequência, campos amanheceram esbranquiçados, criando paisagens típicas do inverno rigoroso, embora o calendário ainda indique pleno verão.
De acordo com o climatologista Ronaldo Coutinho, que realiza o boletim do tempo nas emisssoras da Massa FM da Rede Guararema de Rádios, apesar de a geada ter sido considerada fraca em termos de formação, o frio foi bastante acentuado. Segundo ele, as marcas registradas surpreendem justamente por ocorrerem em janeiro, quando as mínimas costumam ser bem mais elevadas.
Além disso, Coutinho destacou que, às 5h46, São Joaquim anotou 4,8 °C, com possibilidade de queda ainda maior em pontos específicos. Conforme o histórico da Climaterra, essa temperatura figura entre as mais baixas já observadas no mês ao longo de 28 anos de monitoramento. Inclusive, algumas estações meteorológicas da região podem confirmar, nos próximos levantamentos, os menores registros dos últimos 20 anos.
Enquanto isso, outras áreas da Serra Catarinense também enfrentaram um amanhecer gelado. Municípios vizinhos apresentaram mínimas variando, de forma geral, entre 2 °C e 8 °C, reforçando o cenário atípico para o verão. Esse comportamento térmico amplia a atenção de agricultores, especialmente aqueles que dependem de culturas sensíveis ao frio fora de época.
Ao mesmo tempo, o fenômeno não se restringiu apenas a Santa Catarina. No Sul do país, o Rio Grande do Sul também registrou a primeira geada de 2026, com destaque para São José dos Ausentes, onde os termômetros ficaram próximos de 2,4 °C. Esse quadro regional indica uma massa de ar frio mais abrangente, avançando de maneira precoce sobre o Sul do Brasil.
Por fim, especialistas seguem monitorando as condições atmosféricas nos próximos dias. Embora o verão ainda esteja em curso, o episódio reforça a variabilidade climática e evidencia que eventos extremos podem ocorrer fora dos padrões tradicionais, exigindo atenção redobrada da população e dos setores produtivos.