São Bento do Sul volta a ser palco de uma história que ajudou a escrever o nome da cidade no cenário nacional e internacional do mountain bike. Após uma carreira marcada por títulos, convocações para a Seleção Brasileira e participações em grandes eventos esportivos, Ricardo Pscheidt está de volta, agora em uma nova missão: formar atletas e reconstruir a base do ciclismo local.Nascido em São Bento do Sul, Ricardo sempre teve o esporte como parte da sua vida. Por aqui, ainda criança, passou por diversas escolinhas esportivas, praticando futebol, natação, ginástica e outras modalidades. Mas foi aos 14 anos, em 1995, que um evento organizado por uma loja da cidade mudaria seu destino. Ali, ele teve o primeiro contato com o mountain bike. A paixão foi imediata e definitiva.
Destaque ainda jovem pela cidade natal
Nos anos seguintes, Ricardo começou a se destacar nas competições, em uma fase em que ainda consolidava seu crescimento dentro da modalidade. Entre os primeiros grandes resultados estão a vitória em uma etapa do Campeonato Brasileiro de Mountain Bike na categoria Sub 23, no ano 2000, e o título de Campeão Catarinense Elite em 2003. No mesmo ano, conquistou a quarta colocação nos Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC), ficando a apenas cinco segundos do pódio, disputado com atletas contratados de outros estados.A mudança de cidade e o salto profissional
Com o amadurecimento esportivo, veio também uma decisão importante. Ricardo percebeu que tinha potencial para se dedicar integralmente ao mountain bike como atleta profissional. Em 2004, recebeu de Joinville uma proposta com melhores condições financeiras e estrutura de treinamento, fator decisivo para que, em 2006, pudesse viver exclusivamente do esporte.Uma carreira repleta de conquistas
Os números impressionam. Ricardo Pscheidt soma quatro títulos Brasileiros na categoria Elite, três no Cross Country Olímpico (XCO) e um no Cross Country Marathon (XCM). É ainda 15 vezes campeão catarinense entre XCO e XCM e acumula 19 medalhas em Jogos Abertos de Santa Catarina, sendo 14 de ouro.No cenário internacional, conquistou o terceiro lugar nos Jogos Sul-Americanos de Mar del Plata, em 2006, e a quinta colocação nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Por 15 anos, integrou a Seleção Brasileira de Mountain Bike, sendo atleta suplente nas Olimpíadas de 2008, 2012 e 2016, um feito reservado a poucos.Ao longo da carreira, defendeu diferentes cidades em competições oficiais da Fesporte, como São Bento do Sul, Joinville e, mais recentemente, Itapema. Também passou por equipes renomadas do ciclismo nacional, como Coyotes, Scott, Sundown, Jamis, Soul, Trek e, atualmente, Edro Bicicletas.
O retorno às origens, agora como treinador
Nos últimos anos, Ricardo vem atuando como treinador de ciclismo e mountain bike por meio de sua assessoria esportiva. O convite para participar do edital de técnicos da Fundação Municipal de Desportos de São Bento do Sul surgiu no momento certo.“Não pude representar São Bento do Sul como atleta por muitos anos. Agora, tenho a oportunidade de defender a cidade como treinador, o que me deixa extremamente feliz”, destaca.Novos desafios e um olhar para o futuro
O principal objetivo nesta nova fase é reacender o ciclismo e o mountain bike no município. Segundo Ricardo, São Bento do Sul já revelou grandes atletas, mas atualmente carece de renovação.“O trabalho começa na base. Precisamos incentivar crianças e jovens, criar oportunidades e descobrir novos talentos”, afirma.A médio e longo prazo, a meta é ambiciosa: recolocar atletas são-bentenses no cenário nacional e, quem sabe, novamente na Seleção Brasileira. Com experiência, títulos e conhecimento acumulado ao longo de décadas, Ricardo Pscheidt retorna à sua cidade natal disposto a transformar histórias, agora fora das pistas, mas ainda movido pela mesma paixão que nasceu em 1995.“O Ricardo é um profissional que há algum tempo planejávamos contar em nosso quadro de técnicos. Com uma carreira brilhante como atleta, temos plena certeza de que, agora como técnico, irá somar muito à frente do ciclismo de São Bento do Sul.” Comenta o professor Luciano Weidner, presidente da FMD/SBS
