Entomologia Forense: quando os insetos ajudam a revelar a verdade

Botões de Compartilhamento

Em muitas investigações criminais, especialmente aquelas envolvendo corpos em avançado estado de decomposição, a resposta para perguntas essenciais pode vir de onde poucos imaginam: dos insetos. É nesse contexto que atua a Entomologia Forense, uma área da ciência que tem ganhado espaço dentro da perícia criminal, inclusive no apoio às atividades da Polícia Científica de Santa Catarina.

Foto: Divulgação/PCI

A Entomologia Forense consiste na aplicação do estudo dos insetos e outros artrópodes como ferramenta técnico-científica para auxiliar na elucidação de crimes. A partir da análise de vestígios entomológicos presentes no corpo ou no ambiente, os peritos conseguem obter informações valiosas sobre o caso .

Entre as principais contribuições dessa área está a Estimativa do Intervalo Pós-Morte Mínimo, que permite estimar há quanto tempo ocorreu o óbito com base no estágio de desenvolvimento dos insetos encontrados. Como diferentes espécies colonizam o corpo em momentos específicos e se desenvolvem de acordo com condições ambientais, esses vestígios funcionam como um “relógio biológico”, auxiliando na reconstrução da linha do tempo dos fatos.

Além disso, a entomologia também pode contribuir para identificar se o corpo foi deslocado, indicar possíveis causas da morte e até revelar a presença de substâncias químicas no organismo. Em cenários onde outros vestígios biológicos já não estão preservados, essa análise se torna ainda mais relevante.

Outro ponto de atuação importante é o exame em casos de miíase, situação em que larvas se desenvolvem em tecidos humanos, podendo ocorrer tanto em vida quanto após a morte. A avaliação desses casos exige conhecimento técnico especializado, pois pode trazer informações sobre condições de saúde, negligência, tempo de exposição e até circunstâncias relacionadas ao óbito.

Na prática da Polícia Científica de Santa Catarina, a Entomologia Forense integra o conjunto de ferramentas utilizadas na produção da prova pericial, atuando de forma complementar a áreas como a genética, a tanatologia e a criminalística. O trabalho exige coleta adequada no local, preservação dos vestígios e análise especializada em laboratório, reforçando a importância da capacitação contínua e da integração entre diferentes áreas do conhecimento.

Segundo o chefe da Divisão de Entomologia Forense da Polícia Científica de Santa Catarina, Victor Wilson Botteon, “a utilização de diferentes ferramentas científicas, como a entomologia forense, amplia a capacidade de resposta da perícia, especialmente em casos complexos, permitindo a obtenção de informações que muitas vezes não seriam alcançadas por outros métodos”.

Mais do que um campo curioso, a Entomologia Forense demonstra como a ciência amplia as possibilidades da investigação criminal. Ao transformar pequenos vestígios em informações precisas, essa área contribui diretamente para esclarecer circunstâncias de mortes, subsidiar a Justiça e dar respostas mais completas à sociedade e às famílias envolvidas.

Notícias mais lidas

Polícia Militar recupera trator com registro de furto em Rio Negrinho

Vítima de feminicídio, Pricila Dolla será velada na Capela Mortuária de Volta Grande

Autor de disparos contra mulher em Volta Grande é preso em flagrante, confirma delegado

Amigos e familiares lamentam morte de Pricila Dolla

Feminicídio em Volta Grande: mulher é morta a tiros dentro de casa e ex-namorado tenta tirar a própria vida

Últimas notícias

Entomologia Forense: quando os insetos ajudam a revelar a verdade

Receita paga lote da malha fina do Imposto de Renda nesta quinta-feira

Jovem morre após sofrer descarga elétrica durante colheita de pinhão em SC

Rio Negrinho recebe etapa microrregional dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina

São Bento do Sul recebe etapa Microrregional dos JESC com intensa programação esportiva

Secretaria de Saúde define novo horário fixo de atendimento no CAC a partir de 4 de maio