Servidores de São Bento do Sul aprovam Estado de Greve após protestos contra prefeitura

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A relação entre os servidores públicos municipais e a Prefeitura de São Bento do Sul ficou ainda mais tensa nesta terça-feira (19). Durante uma assembleia realizada na praça central da cidade, trabalhadores aprovaram o Estado de Greve, medida que pode anteceder uma paralisação geral caso não haja avanço nas negociações com o Executivo.

A mobilização reuniu professores e demais servidores municipais, que demonstraram insatisfação com projetos encaminhados recentemente pela administração do prefeito Antonio Tomazini à Câmara de Vereadores. Segundo o sindicato da categoria, as propostas representam redução de direitos históricos dos trabalhadores.

Entre os pontos mais criticados está a mudança no período de férias dos professores da rede municipal. Conforme explicado pelo sindicato, os educadores deixarão de ter 45 dias de férias e passarão oficialmente a contar com 30 dias, enquanto os outros 15 serão classificados como recesso remunerado. A alteração impactaria diretamente no pagamento do adicional de férias, já que o recesso não garante o recebimento do acréscimo de um terço salarial.

Além dessa questão, os servidores também reivindicam o cumprimento do Piso Nacional do Magistério, denunciam situações envolvendo plantões considerados irregulares para atendentes, cobram pagamento de insalubridade e questionam mudanças envolvendo as merendeiras das escolas municipais.

Outro tema levantado durante a assembleia foi o vale-alimentação. De acordo com os trabalhadores, a quantidade de estabelecimentos credenciados é pequena e muitos bairros sequer possuem opções para utilização do benefício, obrigando servidores a comprar em mercados considerados mais caros.

Manifestação em frente à prefeitura

Antes da assembleia, professores realizaram um ato em frente ao prédio da prefeitura com palavras de ordem pedindo valorização da categoria. Um dos principais questionamentos foi direcionado à declaração recente do prefeito sobre os salários pagos aos educadores da rede municipal.

Com cartazes e gritos de “Cadê os 8 mil?”, os manifestantes contestaram a afirmação de que professores do município recebem salários acima de R$ 8 mil mensais.

Um servidor que participou do protesto afirmou que esse valor não corresponde à realidade da maioria dos profissionais da educação.

“Talvez um professor com muitos anos de carreira, especializações, mestrado ou doutorado consiga atingir esse salário, mas não é o que acontece com grande parte da categoria”, declarou.

Edital aumenta revolta da categoria

Horas antes da manifestação, a prefeitura publicou um processo seletivo para contratação temporária de professores. O documento prevê salários entre R$ 3,7 mil e R$ 4,7 mil.

Para o sindicato, os valores apresentados no edital estariam abaixo do Piso Nacional do Magistério, atualmente fixado em R$ 5.130,63, além de contradizerem a declaração feita anteriormente pelo prefeito sobre remunerações superiores a R$ 8 mil.

Prefeito rebate críticas e cita investimentos

Ainda nesta terça-feira (19), o prefeito Antonio Tomazini utilizou suas redes sociais para fazer um pronunciamento direto à população sobre a situação envolvendo os servidores municipais.

No vídeo, Tomazini afirmou que “a população precisa saber a verdade” e destacou conquistas realizadas pela administração em benefício do funcionalismo público. Segundo ele, quando assumiu a prefeitura, o vale-alimentação dos servidores era de R$ 350 e atualmente passou para R$ 672.

Na área da educação, o prefeito afirmou que o Piso Nacional do Magistério foi aplicado em toda a carreira dos professores e não apenas no salário base, como determina a legislação. Como exemplo, citou o caso de uma professora que, segundo ele, recebia R$ 4.620 em 2020 e atualmente recebe R$ 8.311,05. Tomazini afirmou ainda que os valores podem ser conferidos no Portal da Transparência do município.

O prefeito também destacou investimentos em infraestrutura nas unidades escolares. De acordo com ele, todas as escolas municipais receberam ar-condicionado, manta térmica nos ginásios, reformas em banheiros e revitalização de espaços.

“Colocamos câmeras de segurança em todas as escolas. Não é gasto, é investimento”, afirmou, ao mencionar episódios de violência registrados em outras cidades de Santa Catarina.

Além disso, Tomazini citou investimentos em tecnologia, como aquisição de equipamentos de robótica, Chromebooks para estudantes e notebooks destinados aos professores da rede municipal.

Dívidas herdadas e críticas a ex-gestores

Durante o pronunciamento, o prefeito também falou sobre dívidas herdadas de administrações anteriores. Segundo ele, o município enfrenta cerca de R$ 27 milhões em ações judiciais relacionadas a direitos não pagos aos professores, além de aproximadamente R$ 48 milhões em débitos antigos, incluindo contratos ligados à empresa Andrade Gutierrez.

Tomazini criticou antigos gestores e afirmou que algumas pessoas que hoje apoiam movimentos grevistas seriam responsáveis pelos problemas financeiros enfrentados pela prefeitura.

“É hipocrisia ver os mesmos gestores que deixaram de cumprir esses direitos agora incentivando greves e posando de defensores dos servidores”, declarou.

Ao final do vídeo, o prefeito reforçou o compromisso da administração com “a verdade, responsabilidade e o povo de São Bento do Sul”, afirmando que a cidade vive um processo de valorização real dos servidores públicos.

Comissão será responsável pelas negociações

Durante a assembleia, os servidores também escolheram uma comissão que ficará responsável por representar a categoria em futuras reuniões com a administração municipal.

O presidente do sindicato, Edemilson Benedito de Assis, afirmou que o diálogo entre prefeitura e servidores estaria desgastado desde fevereiro de 2025, quando a categoria rejeitou a proposta de reajuste salarial apresentada pelo Executivo.

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