Valor da Produção Agropecuária catarinense bate novo recorde com aumento de 15,8% e alcança R$ 75,1 bilhões

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O agronegócio catarinense alcançou em 2025 o maior Valor da Produção Agropecuária (VPA) da série histórica, com R$ 75,1 bilhões, um crescimento nominal de 15,8% em relação aos R$64,8 bilhões registrados em 2024. Descontada a inflação, o avanço real foi de 12,5%, consolidando uma trajetória de crescimento médio real de 4,3% ao ano na última década.

Foto: Divulgação / Epagri

Esses dados estão na 46ª edição da Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina, publicada pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) no início de junho. O estudo reúne a análise detalhada de 64 produtos agropecuários, abrangendo a produção vegetal, animal, a aquicultura e o setor florestal, com dados oficiais validados que sintetizam o desempenho de 2025 e indicam tendências para o futuro. A publicação está disponível para consulta e download gratuito no Observatório Agro Catarinense. 

“É um valor expressivo que demonstra a força e a competitividade do nosso agro. Não se trata apenas de produzir mais, mas de produzir com qualidade, atendendo aos padrões dos mercados mais exigentes do mundo. O setor é um dos principais pilares da nossa economia e o Governo do Estado tem feito a sua parte, com programas de incentivo e apoio aos produtores que enfrentaram perdas. Seguiremos trabalhando para fortalecer ainda mais o campo e garantir oportunidades para quem produz em Santa Catarina”, disse o governador Jorginho Mello.

“A Síntese Anual da Agricultura traz um retrato  da força e da evolução do agronegócio catarinense, evidenciando resultados históricos, como o maior Valor da Produção Agropecuária já registrado no estado e o crescimento das exportações. Esses dados são fundamentais para orientar a tomada de decisões, aprimorar políticas públicas e fortalecer ainda mais o desenvolvimento do setor”, destaca o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort.

Para o presidente da Epagri, Dirceu Leite, esses números são a prova da resiliência do produtor catarinense e da força do modelo tecnológico da agricultura de Santa Catarina. “Eles são fruto de um trabalho silencioso, contínuo e integrado que une a pesquisa científica de ponta e a extensão rural da Epagri ao campo. Nossa empresa se orgulha de ser um dos braços técnicos que transformam conhecimento em rentabilidade, garantindo que Santa Catarina siga alimentando o Brasil e o planeta com sustentabilidade, alta produtividade e qualidade incomparável”, comemora o presidente.

Na safra 2025, o agronegócio catarinense foi impulsionado pelo forte desempenho dos grãos e pela consolidação da produção animal. Entre as principais contribuições para o crescimento do VPA em 2025 destacam-se o milho (+50,5%), o milho silagem (+46%), a maçã (+34,3%), o tabaco (+33%), os bovinos de corte (+32,6%), a soja (+24,3%) e os suínos (+20,1%). 

A composição setorial do VPA confirma a força da pecuária, com aproximadamente 60% do valor total, enquanto os grãos responderam por 21%. Os produtos de maior peso econômico foram suínos (21,9%), frangos (15,4%), leite (11,5%), soja (9,0%), tabaco (6,1%) e bovinos (5,3%). 

A Síntese Anual também reúne análises sobre tendências internacionais, crédito rural, geopolítica e o desempenho de cada cadeia produtiva, compondo um panorama abrangente de um setor que movimenta bilhões e sustenta o desenvolvimento de Santa Catarina.

Em um cenário marcado por tarifas comerciais, oscilação cambial e mudanças climáticas, Luis Augusto Araujo, analista da Epagri/Cepa, avalia que a tomada de decisão no agronegócio exige acesso a informações qualificadas. “O produtor, o investidor e o gestor público precisam de uma leitura clara do presente para planejar o futuro. A Síntese reúne dados oficiais, validados tecnicamente, que mostram não apenas o que aconteceu em 2025, mas também apontam tendências para os próximos ciclos”, destacou.

As exportações do agronegócio catarinense alcançaram US$ 7,9 bilhões, com Santa Catarina respondendo, em janeiro de 2026, por 49,4% do volume e 51,7% da receita brasileira das exportações de carne suína, além de 26,4% da receita e 23,1% do volume de carne de frango, resultado impulsionado pela abertura de novos mercados e pela expansão dos embarques ao Japão, que aumentaram 58,1% em quantidade de carne suína.

Desafios e retomada no agro catarinense

Entre os desafios enfrentados pelo agronegócio catarinense, destacam-se a perda de valor do arroz e do feijão em razão da forte queda de preços, a retração de 26% nos preços da cebola ao produtor em janeiro de 2026 e a redução das exportações de madeira diante de novas tarifas praticadas pelos EUA a partir de agosto de 2025. O leite também registrou recuo de 12% no preço ao produtor no Alto Vale do Rio do Peixe no início de 2026, enquanto a aquicultura foi impactada pela queda no valor da produção de tilápias, pressionada pela redução de preços.

Por outro lado, as oportunidades foram impulsionadas pela forte recuperação dos grãos, com soja e milho liderando o crescimento, e pelo avanço de 14,2% da pecuária em valor, sustentada por preços firmes de suínos, aves e bovinos. A maçã catarinense apresentou recuperação de 27,9% na safra 2025/26, com concentração de 83,2% da produção em Lages. No leite, o mercado sinalizou reação, com o preço do UHT subindo de R$3,30 para R$3,42 por litro entre janeiro e fevereiro de 2026. Santa Catarina também segue ampliando sua presença nos mercados internacionais de proteína animal, reforçando a competitividade do setor.

Fonte: Agência de Notícias SECOM

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