El Niño eleva risco de doenças nas lavouras de arroz

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O avanço do El Niño deve intensificar os desafios para a cultura do arroz no Brasil nos próximos meses. Com alta probabilidade de permanência até o início de 2027, o fenômeno tende a provocar excesso de chuvas na Região Sul e estiagem com temperaturas elevadas no Centro-Norte, alterando o ambiente de cultivo e aumentando a pressão de doenças nas lavouras.

Foto: jcomp/Magnific

Segundo o monitoramento do Ministério da Agricultura e Pecuária, esse contraste climático favorece a disseminação de patógenos, principalmente fungos. Em cenários de umidade prolongada ou de estresse das plantas, as condições ficam mais propícias para infecções que podem comprometer o desenvolvimento da cultura e reduzir a produtividade.

Entre as doenças que mais preocupam os produtores está a brusone, causada pelo fungo Pyricularia oryzae. Considerada a enfermidade mais destrutiva do arroz, ela pode ocorrer em praticamente todas as regiões produtoras do país e afetar toda a parte aérea da planta em qualquer fase de desenvolvimento.

Os primeiros sintomas surgem como pequenas manchas castanhas que evoluem para lesões elípticas, com centro acinzentado ou necrótico. À medida que a infecção avança, as lesões se unem, reduzem a área fotossintética e prejudicam o enchimento dos grãos, o que resulta em perdas de rendimento e de qualidade.

Especialistas reforçam que o controle da brusone depende de manejo integrado e monitoramento constante da lavoura. Sementes contaminadas e restos culturais deixados no campo funcionam como reservatórios do fungo entre uma safra e outra, elevando o risco de infecções primárias e de novas disseminações.

O tratamento de sementes com fungicidas sistêmicos é apontado como uma das estratégias mais eficientes para proteger as plantas no estabelecimento inicial da cultura. Já na fase de formação das panículas, a recomendação é realizar aplicações preventivas entre o emborrachamento e o início da emissão das panículas, sempre seguindo as orientações da bula dos produtos registrados.

Com a perspectiva de continuidade do El Niño até 2027, produtores de arroz precisam intensificar a observação das condições climáticas e sanitárias das áreas cultivadas. O planejamento da safra, o acompanhamento técnico e a adoção de práticas preventivas serão decisivos para reduzir os impactos da brusone e preservar a produtividade da cultura diante das variações previstas para a safra 2026/27.

Fonte: Rede Catarinense de Notícias e Portal do Agronegócio

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