O processo de elaboração do projeto de requalificação da Avenida São Bento teve início com a avaliação sistemática das interferências provocadas pelo posteamento existente sobre a funcionalidade da via. A análise considerou não apenas a circulação de veículos, mas também as condições de deslocamento de pedestres e ciclistas, a acessibilidade dos passeios, os acessos aos imóveis lindeiros, a segurança das travessias e a compatibilização com as demais infraestruturas urbanas.
A Avenida São Bento constitui importante eixo de circulação urbana com aproximadamente 2.300 unidades edificadas na área de influência direta do projeto (300m do eixo da via). Está também localizada nas proximidades de uma subestação da CELESC, da qual derivam três linhas de distribuição em média tensão responsáveis pelo abastecimento de diversos bairros e indústrias do município, totalizando cerca de 15 mil unidades consumidoras.
A rede aérea encontra-se atualmente distribuída em 99 postes implantados nos dois lados da avenida, em configuração marcada por desalinhamentos. Boa parte dessas estruturas interferem diretamente no uso pleno descalçadas, restringindo a faixa livre de circulação e o acesso a imóveis dificultando desta forma a utilização plena da via por seus diferentes usuários.
Além da infraestrutura elétrica, a avenida concentra redes subterrâneas de distribuição de gás natural, abastecimento de água, esgotamento sanitário e drenagem pluvial. A coexistência desses sistemas limita as áreas disponíveis para a relocação do posteamento e exige que qualquer solução seja tecnicamente compatibilizada com as redes existentes, de modo a reduzir riscos, interferências e custos operacionais e dificuldades de manutenção futura.
A partir do diagnóstico inicial, foram realizadas reuniões e vistorias técnicas conjuntas com a CELESC, com a finalidade de avaliar as possibilidades de relocação dos postes e de reorganização das linhas de distribuição. As avaliações convergiram para a recomendação de implantação de uma nova linha de posteamento no canteiro central, alternativa sugerida pela concessionária em razão dos ganhos esperados de economicidade, funcionalidade e segurança operacional do sistema elétrico.
Sob o aspecto da economicidade, a solução permite a implantação da nova estrutura de forma independente da rede atualmente energizada, reduzindo a necessidade de execução prolongada de serviços em “linha viva”, a mobilização de equipes altamente especializadas, os riscos inerentes à intervenção direta sobre o sistema em operação e a realização de sucessivas interrupções programadas no fornecimento de energia.
A esses benefícios somam-se a redução do prazo de execução da obra e a consequente diminuição dos custos financeiros e operacionais associados aos serviços, reforçando a maior eficiência da solução adotada.
Essa solução, proposta pela concessionária, foi igualmente ratificada pela equipe técnica da Prefeitura responsável pelo projeto urbano, que identificou ainda benefícios adicionais para a organização e o desempenho da via, especialmente em razão da redução do posteamento de 99 estruturas distribuídas nos dois lados da avenida para 46 postes concentrados no canteiro central.
A adoção de um único alinhamento centralizado possibilita a remoção dos postes atualmente instalados sobre as calçadas, liberando espaço para a ampliação e a regularização das faixas destinadas a pedestres e ciclistas, bem como para a implantação de paisagismo e mobiliário urbano.
A medida também contribui para melhorar as condições de acessibilidade, caminhabilidade e acesso aos imóveis lindeiros, considerando que os postes posicionados nas laterais da via, em determinados trechos, constituem obstáculos à circulação e às entradas dos lotes, sendo inclusive objeto recorrente de solicitações de relocação encaminhadas à CELESC.
Do ponto de vista da segurança viária, houve especial preocupação com a proteção do novo posteamento, prevendo-se mecanismos destinados a reduzir os riscos de abalroamento, por meio de elementos de proteção física e de sinalização horizontal de segurança, conforme aplicável a cada situação. Essas medidas têm como objetivo não apenas preservar a infraestrutura implantada, mas, sobretudo, ampliar a segurança dos usuários da via, reduzindo riscos e tornando mais clara a percepção dos elementos existentes no ambiente viário.
Somado ao já citado, destaca-se ainda que a implantação do canteiro central contribui para a melhor definição e separação dos fluxos veiculares em sentidos opostos, reduzindo as possibilidades de colisões frontais e favorecendo a moderação e a organização da circulação. O canteiro também permite a implantação de áreas intermediárias de espera para pedestres, possibilitando travessias realizadas por etapas, com menores distâncias de exposição ao tráfego e condições mais compatíveis com as normas nacionais de acessibilidade e segurança viária.
A centralização das estruturas de iluminação pública também poderá proporcionar distribuição mais uniforme da iluminação sobre a pista, as travessias e os espaços de circulação. Essa configuração tende a ampliar a visibilidade noturna dos diferentes usuários e a reduzir pontos de sombra e conflitos decorrentes da instalação desordenada de postes nas laterais da via.
Quanto à análise para preservação do funcionamento das atividades econômicas já consolidadas ao longo da via, o projeto incorporou medidas específicas de diálogo, levantamento e compatibilização. Foram realizadas quatro reuniões com usuários diretamente afetados, nas datas de 04/06/2024, 19/06/2024, 03/10/2025 e 01/06/2026, destinadas à apresentação da proposta, ao esclarecimento de dúvidas e à coleta de contribuições.
Durante a fase de concepção do projeto, também foi efetuado o mapeamento das atividades que utilizam veículos de grande porte, seguido de simulações de entrada, saída e manobra, com o objetivo de ajustar a geometria dos canteiros centrais e evitar prejuízos à operação dos estabelecimentos.
Posteriormente, já na etapa de execução da obra, foram realizados 20 atendimentos individualizados para promover ajustes pontuais no projeto, considerando necessidades específicas e condicionantes operacionais, de modo a compatibilizar a intervenção viária com a continuidade das atividades econômicas instaladas.
A proposta, portanto, não decorre exclusivamente de uma intenção paisagística ou da necessidade isolada de reorganizar a rede elétrica. Resulta de um processo técnico de diagnóstico, avaliação conjunta com a concessionária e compatibilização entre infraestrutura elétrica, mobilidade, acessibilidade e desenho urbano.
A solução busca melhorar a relação entre custos e benefícios, ampliar a funcionalidade da avenida para todos os seus usuários, reduzir conflitos e riscos de trânsito e qualificar o espaço público.
Dessa forma, as soluções técnicas consolidadas no projeto executivo final foram definidas de maneira integrada, global e sistemática, sob a coordenação do Departamento de Planejamento Urbano — DEPLEU, a partir do alinhamento entre os projetos de engenharia e de urbanismo desenvolvidos em conjunto com a CELESC e a AMUNESC.
As decisões consideraram o projeto em sua totalidade, buscando compatibilizar infraestrutura, mobilidade, segurança viária, acessibilidade, operação dos serviços públicos, funcionamento das atividades econômicas consolidadas e qualificação do espaço urbano.
Mais do que atender aos princípios de economicidade e funcionalidade, a proposta foi orientada pela busca de benefícios duradouros para a coletividade, com foco na melhoria da qualidade de vida, no uso seguro e inclusivo da via e na adequada proteção do interesse público.
Secretaria de Planejamento e Urbanismo