Para Juliana Peyerl, a estrada nunca foi apenas um caminho. Ela sempre representou um sonho. Um sonho que começou ainda na infância, sentado na boleia do caminhão do pai Claudio Peyerl, e que hoje se tornou realidade. Há nove anos vivendo a rotina das rodovias brasileiras, a caminhoneira faz parte de uma nova geração de mulheres que conquistam espaço em uma profissão historicamente dominada pelos homens.
Em entrevista ao Jornal Perfil, Juliana contou que sua história com os caminhões começou muito antes de tirar a carteira de motorista.
“Meu pai foi caminhoneiro e foi ele quem despertou em mim essa paixão. Desde pequena eu viajava com ele e, a cada viagem, minha admiração e respeito pela profissão só aumentavam. Sempre que podíamos, eu, minha mãe e minhas irmãs acompanhávamos ele nas viagens.”
O sonho acompanhou Juliana durante toda a adolescência. Quando estudava no Colégio Manuel da Nóbrega, ela tinha um costume que até hoje guarda na memória.
“Eu sentava perto da janela da sala de aula só para ver os caminhões da Seka passando pela Rua do Seminário. Sempre fui apaixonada por caminhões e por essa profissão por causa do meu pai, que hoje está aposentado. Agora sou eu quem vive essa rotina, e faço isso com muito amor e carinho.”

Embora o sonho fosse antigo, ingressar na profissão não foi fácil.
Juliana lembra que esbarrou em uma dificuldade comum para quem está começando: a falta de oportunidade.
“Muitas empresas querem profissionais com experiência, mas não oferecem a primeira chance. E sem essa oportunidade ninguém consegue começar.”
A mudança aconteceu quando uma empresa do Sul de Santa Catarina acreditou em seu potencial.
“Eles abriram as portas para mim. Trabalhei durante três anos nessa empresa e sou muito grata pela confiança que depositaram no meu trabalho. Foi ali que minha trajetória realmente começou.”
Hoje, rodando por diferentes estados brasileiros, Juliana conhece de perto a realidade das estradas.
Filas, congestionamentos e longas jornadas fazem parte da profissão, mas ela garante que tudo fica mais leve quando existe paixão pelo que se faz.
“Nem sempre é fácil. Existem dias de muito movimento, filas e desafios que variam conforme a região do país. Como eu viajo pelo Brasil inteiro, alguns lugares são mais difíceis que outros. Mas quando você trabalha com amor, tudo isso acaba sendo superado.”
Mesmo com um número cada vez maior de mulheres ao volante de caminhões, Juliana afirma que ainda enfrenta situações de preconceito.
“Em alguns lugares ainda existe resistência em aceitar uma mulher dirigindo um caminhão. Mas caminhoneira é uma profissão como qualquer outra. Com educação, humildade e profissionalismo conseguimos vencer essas situações. Cada desafio só nos fortalece e nos faz querer mostrar ainda mais nossa capacidade.”
Ao falar sobre as mulheres caminhoneiras, Juliana abre um sorriso. Para ela, cada caminhão conduzido por uma mulher carrega muito mais do que uma carga.
“Quero dizer para todas as mulheres que podemos ser o que quisermos. Não existe profissão de homem ou de mulher. Nós, caminhoneiras, estamos deixando as estradas mais bonitas. Somos como flores na estrada.”
Ela explica que muitas motoristas fazem questão de decorar seus caminhões, deixando cada detalhe com sua personalidade.
“O caminhão acaba sendo nossa casa durante boa parte da vida. Cada uma coloca um toque especial, um detalhe diferente. Quando encontro um caminhão todo enfeitado, logo penso que tem uma amiga ali. Isso mostra que não estamos sozinhas. Somos muitas mulheres espalhadas pelas rodovias do Brasil.”

Hoje, realizando o sonho que nasceu ao lado do pai, Juliana segue firme na estrada, levando consigo o orgulho da profissão e a certeza de que escolheu o caminho certo.
“Hoje trabalho em uma empresa e sigo meu caminho sempre com Deus no coração. Enquanto Ele estiver guiando meus passos, sei que ainda vou muito longe.”
Neste Dia do Motorista, a história de Juliana Peyerl homenageia não apenas os profissionais que cruzam o país transportando o desenvolvimento do Brasil, mas também todas as mulheres que, com determinação e coragem, provam todos os dias que lugar de mulher também é atrás do volante de um caminhão.
