O homem condenado pelo ataque contra a ex-companheira, Késsia de Souza Veiga, e dois funcionários que tentaram ajudá-la foi condenado a 60 anos, cinco meses e seis dias de reclusão, em regime fechado, em julgamento realizado nesta sexta-feira (18), na Câmara de Vereadores de Rio Negrinho.
A pena havia sido divulgada inicialmente como sendo de 56 anos e seis dias de reclusão, porém, posteriormente, foi identificada uma inconsistência no cálculo da pena, que precisou ser corrigida pela equipe responsável pelo julgamento. Com a correção, a pena definitiva passou para 60 anos, cinco meses e seis dias.
O crime aconteceu na tarde de 24 de outubro de 2025, em um supermercado de Rio Negrinho. Segundo a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o homem, então com 23 anos, foi até o local de trabalho da ex-companheira armado com um facão e duas facas, inconformado com o fim do relacionamento.
Késsia foi atacada com diversos golpes, principalmente na região da cabeça, pescoço, braços e mãos. Conforme os laudos periciais, ela sofreu ferimentos profundos, fraturas cranianas e teve parte da mão direita decepada. Posteriormente, foi necessária a amputação cirúrgica do antebraço.
Durante o ataque, dois funcionários do estabelecimento também tentaram intervir para proteger a vítima e acabaram feridos. Uma funcionária sofreu um corte profundo no rosto, enquanto outro funcionário foi atingido por golpes na cabeça, pescoço e braços.
MPSC sustentou que crime foi planejado
Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que o ataque foi premeditado e ocorreu em um contexto de violência de gênero, motivado pela não aceitação do fim do relacionamento.
O promotor de Justiça Cláudio Everson Gesser Guedes da Fonseca afirmou perante o Conselho de Sentença que o caso envolveu violência utilizada como forma de controle sobre as escolhas da vítima.
A acusação também sustentou que o réu teria planejado a ação e utilizado recursos que dificultaram a defesa das vítimas.
Os jurados acolheram as teses apresentadas pelo Ministério Público e condenaram o réu pelos crimes descritos na denúncia.
Pela tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, com as qualificadoras reconhecidas no processo, e pelas duas tentativas de homicídio contra os funcionários que tentaram ajudá-la, foi estabelecida a pena de 60 anos, cinco meses e seis dias de reclusão, em regime fechado.
Indenizações às vítimas
Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de R$ 80 mil à ex-companheira e R$ 60 mil para cada uma das demais vítimas, como valor mínimo de reparação pelos danos causados pelo crime.
A prisão do condenado foi mantida e ele não poderá recorrer em liberdade. Também foi determinada a execução provisória da pena, conforme decisão judicial.
Familiares das vítimas acompanharam o julgamento sem realizar manifestações.
Após o resultado, Késsia afirmou que considerou a decisão positiva e que, para ela, a Justiça foi feita. Ela também destacou o trabalho realizado pelo Ministério Público durante o julgamento.