Existem histórias que atravessam gerações e se confundem com a própria história de uma comunidade. Em Rio Negrinho, a trajetória de Vani Schroeder é uma delas. Uma vida marcada pela fé, pela devoção e por uma ligação muito especial com Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e padroeira da comunidade do bairro Vila Nova.

Muito conhecida pelos moradores, dona Vani dedicou muitos anos de sua vida à preparação das crianças que participavam das celebrações vestidas como Nossa Senhora Aparecida. Era ela quem confeccionava os mantos, preparava as coroas e cuidava de cada detalhe das vestimentas que ajudavam a manter viva essa tradição tão significativa para a comunidade.
Mas, neste 12 de outubro de 2026, a história reservou a ela um momento que ficará guardado na memória de todos os que tiveram a oportunidade de presenciar a cena.
Aos 88 anos, dona Vani voltou a coroar a imagem de Nossa Senhora Aparecida, exatamente 80 anos depois de ter realizado esse mesmo gesto pela primeira vez, quando tinha apenas oito anos de idade.
Acompanhada pelo neto, pela esposa dele e por uma menina de dez anos, ela entrou na igreja durante a Santa Missa, levando consigo muito mais do que o gesto de uma coroação. Levava uma história inteira de devoção, lembranças e amor pela padroeira.
Diante dos olhares atentos e emocionados dos fiéis, dona Vani se aproximou da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Primeiro, foi colocado o manto sobre a imagem. Em seguida, chegou o momento de colocar a coroa, repetindo, oito décadas depois, uma cena que havia marcado sua infância.
A emoção tomou conta da igreja.
Após a coroação, dona Vani começou a cantar uma canção em homenagem à padroeira. Mas as palavras foram se misturando às lágrimas, e a emoção falou mais alto. Era impossível não perceber a força daquele instante: uma mulher que, depois de 80 anos, estava novamente diante da imagem que sempre fez parte de sua vida, revivendo um momento que o tempo não foi capaz de apagar.
Em meio às lágrimas, ela foi acolhida pelo padre Beto, que presidia a Santa Missa, em um gesto de carinho diante de uma cena que tocou profundamente os presentes.
Uma vida que se confunde com a história da padroeira
A história de dona Vani é também a história de uma tradição mantida com amor, dedicação e fé. Durante décadas, ela ajudou a preparar as crianças que representavam Nossa Senhora Aparecida, cuidando das vestimentas e contribuindo para que a devoção continuasse viva entre as famílias da comunidade Vila Nova.

Agora, ao coroar novamente a imagem, ela não apenas reviveu uma lembrança da infância. Também deixou uma imagem inesquecível para as novas gerações: a de que a fé pode atravessar o tempo, permanecer viva no coração e se transformar em uma herança que passa de uma geração para outra.
Oito décadas separam a primeira coroação, quando era apenas uma menina de oito anos, deste momento vivido aos 88. Entre uma data e outra, uma vida inteira de histórias, trabalho, devoção e amor a Nossa Senhora Aparecida.
Neste Dia da Padroeira do Brasil, a emoção de dona Vani lembrou a todos que algumas homenagens vão muito além das palavras. São feitas de memórias, de gestos e de uma fé que permanece, mesmo quando os anos passam.
Na comunidade Vila Nova, neste 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida foi coroada mais uma vez. E, junto com a coroa e o manto, foi celebrada também a história de uma mulher cuja vida se entrelaça à da própria padroeira.
Uma história de fé que começou na infância e que, 80 anos depois, voltou a emocionar uma igreja inteira.
